segunda-feira, 28 de março de 2011

don't look back

Você é drama se você gosta de drama.

Um drama complexo, um drama superficial, um drama desnecessário... Qualquer drama é desnecessário.
Mas você não consegue largar, você não quer largar, mas você precisa ir agora.
Não olhe pra trás, brincadeiras não vestem gente grande!

Vá brincar de ser dona do próprio nariz, criança! Vá brincar de dar volta e mais volta em metrô lotado, de cozinhar seu próprio arroz, de pagar sua diversão, de pagar toda a sua diversão, de pagar todo o preço. Preço seu. Preço que você escolheu.

Pra gente grande tem drama, sim.
Mas gente grande não faz drama, não.

Um beijo pra sua meia três-quartos e pro seu bebê de pézinho rabiscado.
Um beijo pra criança que procura príncipe encantado.

"In a painted past, In a looking glass


I see me looking back..."



Brincar de ser legal...
É legal! =)

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Em sonho...

Andava com amigos pela rua procurando um lugar para passar o tempo. Um deles convida os outros para acompanharmo-lo em uma festa de casamento. Aceitamos todos. Subo até meu apartamento para trocar meu par de tênis por um sapato apropriado para uma cerimônia formal. De lá ouço uma gritaria incomum. Dirijo-me ao corredor do prédio e, ao olhar pela janela, vejo meus amigos num alvoroço sobre um acontecimento absurdo. Desço as escadas num compasso acelerado e por cada andar que passo, olho para a janela e vejo uma enorme esfera no estacionamento do edifício. Ao alcançar o térreo, ouço dizerem que a Lua estava extremamente perto da Terra. Entretanto, ao olhar de perto, vejo que a Lua está, na verdade, estacionada sobre o chão.
A Lua caiu.
Uma agitação incontrolada. As pessoas não sabem se acreditam e, ao mesmo tempo, não tem como duvidar. A imprensa de tão chocada não é capaz de noticiar. Gritos histéricos daqueles que foram os primeiros a descobrirem que o olhar direto para o satélite falecido causa cegueira. Mãos tapam os olhos, gritos enchem as gargantas, Lua caída na Terra.

Colapso

A tensão social existente nos dias de hoje é produto da corrida tecnológica característica da era da informação, também conhecida como era digital. Não há mais limites e os escrúpulos são cada vez menos exigidos na luta por ascensão e evolução econômica. A violência não é apenas uma fatalidade de caráter tirano-opressivo. Esta é um resultado do estresse sob o qual a sociedade contemporânea está submetida.
No contexto socio-econômico onde a disputa por lucro e sucesso, o indivíduo se vê perdido em angústia e nervosismo consequentes do esforço adaptativo. Existe uma exigência de desenvolvimento e evolução social implícita nos modos de vida contemporâneos. Esta exigência causa uma pressão psicológica sobre o sujeito dando origem à intolerância e à brutalidade tão comuns no dia-a-dia.
A violência em si é uma derivação da frustração do homem e portanto origina-se uma necessidade de encontrar mecanismos de escape para dar vazão à ansiedade remoída pelo indivíduo sob pressão. O homem, cego por ira excessiva, retorna às suas raízes irracionais na cadeia evolutiva e passa a expressar seus sentimentos malogrados de forma irascível e incívil.
Para que haja uma detenção para atos violentos na sociedade, o primeiro passo é reconhecer que a violência está contida, em níveis distintos, em todos os que fazem parte deste conjunto e, portanto, a única forma de reduzir a ocorrência da violência em sua forma trágica no cotidiano, é buscando medidas para diminuir a tensão social que pesa sobre os ombros de cada cidadão como, por exemplo, a implantação de terapias como acompanhamento psiquiátrico, tratamentos homeopatas, terapias ocupacionais etc.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Alucinando com Björk

O céu é de um tom cinza-escuro, como prestes a derrubar toda a água possível, como se não a derrubasse há muitos meses. O vendaval também anuncia a chuva, varrendo tudo que há pela frente e fazendo esvoaçarem os cascalhos sobre o chão montanhoso. No alto da montanha, os sinos de uma igreja como a de Glastonbury soam violentamente e as irmãs, em seguida da abadessa, choram um canto mórbido.
Cascalhos, folhas, e hábitos ao vento - que se faz cada vez mais forte e avassalador- constituem uma cena amedrontadora, sombria, obscura. Não há pássaros, mas se houvesse seriam corvos. Não há símbolos, mas se houvesse seriam cruzes.
Tudo ao redor é feito de cores opacas, cores mortas, cores escuras. O cinza-negro do céu predomina causando uma forte sensação negativa de estremecimento acompanhado da angústia trazido pelo coro das freiras.
O canto, o tambor, o vento, o cascalho, as folhas, as cores, o cinza, o medo, o frio, o canto, o tambor, o vento, o cascalho, as folhas, as cores, o cinza, o medo, o frio...

PLUS

A sociedade contemporânea é um fruto da evolução dinâmica do capitalismo, que trouxe para o homem a ideia de individualismo metodológico. Se antes cada qual lutava por si, a inserção de um regime organizado para assegurar o privilégio de alguns apenas atenuou essa competição. A partir de então, perde-se a noção de individualidade e passa-se a espalhar por toda a sociedade um valor altamente egocêntrico.
Na era da informação é ainda mais evidente a presença do caráter individual, pois a tecnologia não para de desenvolver-se e as fontes de lucros não param de crescer. O mercado é exigente, a competição é gigantesca e as oportunidades são mínimas. Enxerga-se então a teoria darwinista sobre o organicismo, uma vez que o mais desenvolvido sobrevive. Faz-se presente a necessidade de destacar-se, de ser o melhor, o mais inteligente, o mais adaptado.
Desta forma, o ser humano está ofuscado pela sede de desenvolvimento particular e não há mais espaço, na sociedade contemporânea, para o altruísmo. Não se trata de uma questão de avidez por lucro, mas sim de sobrevivência.
O homem hoje em dia está preocupado demais em aprimorar seus aspectos qualitativos para a obtenção de progresso pessoal que mal sobra tempo ou vontade para lembrar-se de que há uma infinidade de semelhantes no mundo afora que também passam por dificuldades e são tão carentes de compreensão quanto ele próprio.

Uma Outra Faceta do Ego

Ao pensar-se em altruísmo lembra-se, automaticamente, de uma sociedade perfeita, na qual não existe egoísmo e cada indivíduo coexiste e existe um para o outro. É fato que, desde os tempos em que os ideais de liberdade foram expostos de forma revolucionária, cada homem procura incessavelmente seu próprio desenvolvimento, como numa corrida pelo sucesso político, econômico, religioso, social e intelectual.
Entretanto, através de uma análise minuciosa do plano social, é possível observar-se que não existe apenas um indivíduo, um interesse ou um ideal. Cada qual está necessária e irrevogavelmente relacionado a todos seus semelhantes, pois assim se faz a sociedade. A ação de um pode passar despercebido aos olhos de outro, mas traz consequências para todos aqueles que encontram-se à sua volta. Sendo assim, por mais que haja uma ganância inescrupulosa do homem, há também, instintivamente, uma necessidade altruísta.
Uma sociedade não se faz na base do egoísmo, uma vez que um indivíduo necessita do próximo para que façam ambos, parte de uma coletividade e, caso contrário, seriam apenas dois seres aleatórios sem nenhum laço social. Visto que o ser humano em sua racionalidade é destinado a viver em conjunto, não seria vantajoso para o desenvolvimento social deste o egocentrismo exacerbado.
Portanto, o altruísmo ainda tem lugar no mundo contemporâneo porém, por este ser um componente indispensável para o progresso individual, acaba confundindo-se com o próprio oponente, o egocentrismo, já que o homem geralmente só age de forma filantrópica a fim de seu próprio benefício.